ALÉM DO SABER: A medicina que também leva amor e esperança aos hospitais de Lavras.

Por Camila Caetano
Foto: Daniel Rocha Fotografias


Em comemoração ao Dia do Médico, conheça a Unidade de Pronto Alegramento (UPA) que levará risos, bem estar e confiança aos enfermos de Lavras.

Leia também a seção “Saúde em Dia” com diversos esclarecimentos de médicos colaboradores da Revista Ipê.

Em 18 de outubro comemora-se o Dia do Médico, data escolhida em homenagem a São Lucas, conhecido na literatura católica por “o médico amado”. Além de ter sido pintor, músico e historiador, ele também teria estudado medicina e exercido a profissão com total zelo. O dever do “médico amado” ia muito além do cuidar de vidas, era fundamental dedicar amor, confiança e respeito aos pacientes. Tradição que se seguiu ao longo da história.

E hoje, esse desafio se mantém. Durante todo o curso de Medicina, os professores procuram guiar seus alunos a também se tornarem médicos humanizados, que acima de tudo saibam amar as pessoas. Por isso, cada vez mais aumenta o número de projetos, em diferentes cidades, que desenvolvem a terapia da alegria. Teatro, música, brincadeiras e cores se tornam instrumentos dos profissionais da saúde. São os especialistas na “risologia” e o objetivo é simples: cuidar e alegrar.

Em Lavras não poderia ser diferente. Com o objetivo de levar risos aos hospitais, esperança aos enfermos, e ainda formar melhores médicos, foi criada a Unidade de Pronto Alegramento (UPA). A equipe, com 29 pessoas, é composta por professores e estudantes da área de saúde da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e médicos que atuam nos hospitais Vaz Monteiro e Santa Casa.

O projeto começou com o estudante de medicina Lucas Matheus Chagas, que trouxe toda a sua experiência obtida na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), por meio do projeto “Rir é o Melhor Remédio”, que consistia na humanização dos profissionais da área da saúde e transformação do ambiente hospitalar através da figura do palhaço.

Natural de Barbacena, ele decidiu retornar para Minas Gerais, iniciando o curso de medicina na UFLA. “Um dos maiores desafios foi deixar o ‘Rir’ para trás, porque o projeto redimensionou totalmente minha forma de ver o mundo”, comenta. Mas, logo no primeiro período do curso na UFLA ele já foi descoberto pelo professor Rodrigo Moura. Assim, professor e aluno se uniram para criar o projeto em Lavras.

ROMPENDO BARREIRAS

Os novos cursos de Medicina visam a uma abordagem integral do ser humano. Além do atendimento voltado ao cuidar, à prevenção e ao tratamento de doenças, existe o reconhecimento de que é fundamental a interação entre médico e paciente, onde deve haver empatia, respeito e humanidade. Nesse contexto que se fundamenta a Unidade de Pronto Alegramento, um projeto de extensão da UFLA, criado em fevereiro deste ano, que além do curso de Medicina, também envolve os de Educação Física e Nutrição da Universidade.

O coordenador, professor Rodrigo, explica que o projeto foi criado para atender a dois objetivos principais: promover alegria aos pacientes no ambiente hospitalar e ambulatorial através da figura do palhaço, e a humanização dos futuros profissionais de medicina.

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Equipe da Unidade de Pronto Alegramento (UPA) de Lavras

“Para que se consiga promover risadas, é necessária a existência de empatia e conexão entre duas ou mais pessoas. Através desse exercício, chega-se na humanização dos alunos, para que nunca se esqueçam da importância do paciente enquanto ser humano, mas também para que não sejam sobrecarregados pela cobrança de perfeição e infalibilidade tão frequentes nos cursos e na carreira médica. Acima de tudo, que fique o aprendizado de que apesar da finitude da vida, os laços proporcionados são presentes que enriquecem aos outros e a si mesmo”, conclui o coordenador do projeto.

O provedor da Santa Casa de Lavras, o médico Marcos Abe-Saber, também comenta que nos últimos anos muitos cursos de medicina passaram a ter em suas grades curriculares a medicina humanitária, a medicina de família, valorizando muito esse lado social. Para ele, trabalhos com essa abordagem são de extrema relevância para melhorar o astral do paciente.

INTENSO TREINAMENTO

No primeiro semestre deste ano toda a equipe passou por diversas oficinas semanais, que permitiram a capacitação necessária para atuar nos hospitais. “Nos nossos encontros tivemos dinâmicas, palestras, documentários, dentre outras atividades que possibilitam ao acadêmico saber o que fazer durante as visitas hospitalares, e ter aquele autoconhecimento para desenvolver o perfil do seu doutor-palhaço, que não é algo tão simples como as pessoas imaginam, é um processo muito elaborado”, relata Lucas.
Em Lavras, desde a sua criação, o projeto também contou com o apoio da jornalista Vanessa Trevisan que já auxiliou em projetos semelhantes quando era analista de marketing da Unimed Maringá. “Participei do treinamento para formação de palhaços e logo após comecei a atuar nas alas de atendimento médico. Posteriormente tive que retornar para Lavras, mas o desejo de me envolver novamente no projeto esteve sempre presente em meus pensamentos, e o destino me presentou com uma grata surpresa quando conheci o Lucas, que estava envolvido com a implantação do UPA”.

Vanessa conta que em Maringá já acompanhou diversos casos, desde pacientes que conseguiram se curar, os quais ressaltaram a importância das visitas dos doutores palhaços, que transformaram o tratamento em algo mais leve, a pacientes que se foram e deixaram sorrisos e arrancaram lágrimas dos palhaços. “Essa experiência, de hoje poder ajudar a construir esse projeto tão importante, não só para o próximo, mas também para nós mesmos, me transforma a cada dia em uma pessoa mais consciente, que entende o valor da vida, o valor da proximidade, da empatia e do cuidado com o próximo”, comenta.

MAIS ALEGRIA A LAVRAS

As capacitações dos integrantes da Unidade de Pronto Alegramento ainda seguem, mas agora já é possível colocar todo o conhecimento em prática. A previsão é de que a partir do mês de outubro deste ano a equipe inicie as visitas semanais aos hospitais de Lavras.

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Equipe da Unidade de Pronto Alegramento (UPA) de Lavras

“A internação e a doença em si configura em uma situação que gera muito estresse, medo, ansiedade. É nesse contexto que fazemos a intervenção como palhaços. Na literatura científica há evidências da existência de uma correlação muito positiva entre o bem-estar emocional do paciente e a sua recuperação diante da doença física. Além disso, sabemos que existe todo o estereótipo do ambiente hospitalar ser mórbido, triste, e nas nossas visitas tentaremos levar alegria e distração para aquelas pessoas que estão nessa situação vulnerável”, explica Lucas.

OUTRAS NOVIDADES NA CIDADE

Investir em infraestrutura também é primordial quando se pensa no bem-estar do paciente. Assim, para que mais pessoas possam realizar o tratamento de hemodiálise em Lavras, o hospital Santa Casa iniciará nos próximos meses a construção de uma nova estrutura, na “Cidade da Serra”. “A hemodiálise é um procedimento que, mesmo com todo cuidado, causa certo desconforto. Essa mudança a ser feita é visando ao bem-estar do paciente, que fica hoje em um espaço pequeno”, afirma o provedor da Santa Casa, o médico Marcos Abe-Saber.

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Projeto da nova unidade de hemodiálise do hospital Santa Casa de Misericórdia de Lavras

O serviço de hemodiálise do município, inicialmente projetado para atender 60 pacientes, já não comporta a atual demanda, com cerca de 130 pessoas. “É uma estrutura possível de se fazer fora do hospital, desde que sejam mantidos alguns critérios, com uma ambulância de emergência, uma sala de emergência, plantão médico. Sempre que você parte para uma estrutura moderna, feita de maneira adequada, você consegue agilidade, eficiência, economia”, complementa o médico.

Abe-Saber comenta que, além da hemodiálise, outros serviços de saúde em Lavras têm apresentado significativas melhorias, podendo ser considerados referências na região nas diversas especialidades da medicina. Ele também relata que já existe um contrato de intenções para criação de uma clínica de radioquimioterapia na cidade. “É uma demanda com uma estrutura cara, complexa, com diversas normas de segurança. É algo em médio prazo, mas a semente já foi lançada”, comenta.

SAÚDE EM DIA

Visando à melhoria na qualidade de vida, o conhecimento preventivo na saúde tem alcançado maior evidência nos últimos anos, sendo considerado um dos pilares da medicina. Em todas as áreas da saúde é preciso ter muita atenção, por isso manter-se informado é de extrema relevância.

Neste sentido, para manter a “Saúde em Dia”, a Revista Ipê traz nesta edição diversos esclarecimentos na área de dermatologia, com a Dra. Ana Márcia; de cardiologia com o Dr. Afonso Celso; de ginecologia com o Dr. Cássio Furtini Haddad, Dr. Hélio Haddad e Dr. Hélio Haddad Filho; de pediatria com o Dr. Leandro V. Bôas de Souza, além do apoio do ortopedista e traumatologista Dr. Ednaldo Bougleux da S. Andrade.

Revista Ipê