Um projeto social que está além das competições

Em atividade desde 2010, o projeto “Ginástica na UFLA” desenvolve atividades gymnicas voltadas às crianças e aos adolescentes e adultos universitários de Lavras e região. As aulas têm como objetivo possibilitar a prática das ginásticas, proporcionando a vivência das mais diferenciadas modalidades, além de novas oportunidades.

Desde o princípio, o projeto é coordenado pelo professor Luiz Henrique Rezende Maciel, do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Lavas (UFLA) e também técnico da Seleção Brasileira de Ginástica Aeróbica. Mas, o projeto teve os primeiros passos enquanto Luiz Henrique ainda era estudante. “Eu era atleta e comecei a trabalhar com a ginástica ainda na graduação em 1998, com turmas de iniciação. Em 2000 foi quando a primeira equipe competiu em campeonato estadual”, comenta.

Em 2001, ele se forma em Educação Física e inicia com as equipes no Instituto Presbiteriano Gammon, até 2010, quando iniciou a docência na UFLA e levou o projeto para a Universidade, já com um cunho social, muito além das competições. “As pessoas olham nossa equipe e pensam que é só competição, mas temos um trabalho social de base, que atende cerca de 200 crianças, jovens, adultos universitários, gratuitamente. A nossa intenção com o projeto é de abrir os olhos das crianças, da comunidade e possibilitar a entrada na Universidade. Eu tenho atletas que estão comigo desde que eram crianças e que ingressaram na UFLA. Desde o início falo que não adianta só querer treinar, que é necessário dar continuidade nos estudos”.

Hoje, o projeto atende Lavras e região, há atletas de Ijaci, Perdões, Luminárias, dentre outras cidades. A idade mínima é de cinco anos. É necessário que o projeto esteja com vagas disponíveis, por isso é preciso estar na lista de espera. “Estamos estudando algumas parcerias com o Rotary, a Prefeitura de Lavras, para que possamos abrir outras turmas e poder atender mais pessoas”, complementa Luiz Henrique.

Interessados em participar devem entrar em contato no Departamento de Educação Física da UFLA. Pessoalmente ou no telefone: (35) 3829-1293.

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MOMENTO MARCANTE: OLIMPÍADAS

Para o coordenador, o momento mais significativo foi a participação nas Olimpíadas, após convite da Federação Internacional de Ginástica (FIG). “Primeiro participamos do Campeonato Mundial, na Coréia, em julho. Desde 2010 que o Brasil não estava na final dessa competição, sendo que o Brasil é um dos que mais tem títulos mundiais na ginástica aeróbica. Das seis provas presentes, três eram da UFLA. A FIG gostou muito da nossa apresentação e nos convidou para participar das Olimpíadas. Então, recebemos o convite a partir de uma prova nossa, de uma rotina que nós elaboramos, dos meus atletas”, conta emocionado.

No Campeonato Mundial, na Coréia, a equipe conquistou o sexto lugar. Os seis primeiros foram convocados para o World Games, que acontece a cada quatro anos. Neste ano será em julho, na Polônia. “Agora, nosso objetivo é estar entre os três primeiros nos jogos mundiais. Temos que estar no pódio. No último campeonato mundial, de 48 países que participaram, ficamos em sexto lugar. Na ginástica, se você fica até o oitavo lugar já é muito bom. Mas, já que estamos entre os seis, agora queremos ficar entre os três”.

Para conseguir o êxito não é nada fácil. Para aqueles que participam de competições, os treinamentos ocorrem de segunda a sábado, de quatro a cinco horas por dia. “Só paramos nos domingos, em feriados não há descanso. E dependendo da competição, dos objetivos, treinamos inclusive nos domingos. Ano passado treinamos de janeiro a agosto de segunda a segunda, sem feriado, sem domingo”.

O professor Luiz Henrique conta que atletas de outros clubes e estados o procuram sempre com o objetivo de treinarem na UFLA, por conta do nível da equipe. “Sempre tem muita procura. Depois que fomos para as olimpíadas aumentou muito a visibilidade”.

Equipe Ginastica da Ufla

Equipe Ginastica da Ufla

O PROJETO QUE FAZ DIFERENÇA

Muito além das competições. Este é o pilar do projeto. A intenção é de formar crianças e adultos, fazendo a diferença na vida de cada um. O atleta José Henrique Oliveira, 24 anos, hoje estudante de Educação Física na UFLA, conta sua experiência na Ginástica da Universidade.

“Entrei na ginástica em 2009, quando o professor Luiz Henrique me fez o convite e me ofereceu uma bolsa para treinar no Gammon. Eu tenho uma família que me apóia em tudo e sempre me mostra o caminho correto, mas sou de uma cidade pequena (Ijaci) onde é fácil o acesso às drogas e o projeto me mostrou outro caminho, onde eu conseguiria ter uma vida melhor”, conta o atleta.

Quando iniciou no projeto, José Henrique tinha 17 anos, ingressando na categoria juvenil. “Apaixonei-me pela adrenalina que o esporte proporciona. Em 2010 entrei na categoria adulto. Nesta época, foi complicado, meus concorrentes tinham experiências internacionais e eu não conseguia fazer nem um espacate perfeito. Neste ano, fiz minha primeira viagem de avião, nossa, foi incrível. Eu nunca pensei que ia andar de avião na minha vida. E hoje já perdi as contas de quantas vezes voei. Mas, foi muito trabalho duro até hoje. Como eu era o pior da classe eu chegava antes de todo mundo e já começava a treinar. Todos os dias!”.

José Henrique Oliveira

José Henrique Oliveira

O atleta ressalta que é necessário ter persistência e não deixar escapar nenhuma oportunidade. “Eu era o único que não ia competir fora do país. Mas, de 2009 até o final de 2012 tive a chance de fazer trio com o Marcelo e o Maelton, que estavam bem mais avançados do que eu. Eles me ajudaram a evoluir muitíssimo. Foi nessa época que consegui melhorar e chegar ao mesmo nível que eles”.

Mas, para ele, todo esforço é recompensando, pois cada detalhe no projeto faz toda diferença na vivência e na formação. “Com a ginástica conheci uma pequena parte do mundo. Conheci pessoas que me mudaram, que me fizeram crescer de dentro pra fora, amadurecer. Hoje sou campeão Pan-Americano, finalista mundial e classificado para os Word Games. E o mais legal de tudo é que sou exemplo na minha cidade”.


Por Camila Caetano
Fotos: Daniel Rocha Fotografias

Revista Ipê