Casas eco: econômicas e ecológicas

Por Marina Alvarenga Botelho
Fotos: Divulgação


Reaproveitamento, reciclagem de materiais e construção com coisas que a natureza dá. São alguns dos parâmetros levados em conta por quem busca, hoje, construir de forma eco: econômica e ecológica. São diversas as opções para fazer a sua casa de forma sustentável e barata: da reforma de um contêiner vazio à utilização do próprio solo do terreno para subir paredes.

Quem quer construir sem gastar muito pode começar fazendo um exercício bem simples e prazeroso: o garimpo. Seja em cidade grande ou pequena, sempre há um “ferro velho” ou um “acumulador”. Portas, janelas, esquadrias, móveis antigos e materiais de demolição, como tijolos maciços e estruturas de madeira, podem servir como base para o projeto da sua nova casa.

A arquiteta lavrense Juliana Melo está atualmente trabalhando em um projeto alternativo, e dá dicas de economia: “O casal buscou primeiramente as estruturas, portas e janelas em garimpos, e somente após saber o que poderíamos usar, é que fiz o projeto, já pensando nessas peças. A economia pode chegar a mais de 50% nas esquadrias garimpadas e essa economia também aparece na utilização do tijolo aparente, na laje do quarto em concreto aparente, no piso em cimento queimado… Além disso, com linhas simples, poucas paredes, ambientes integrados e o efeito estético, todo rústico, deixa a construção com um aspecto muito acolhedor”.

 

CONSTRUÇÕES VIVAS

O baixo impacto ambiental pode ser obtido também com as técnicas de bioconstrução. O próprio nome já diz: é uma construção viva, com materiais orgânicos e, muitas vezes, é realizada juntamente a projetos de educação ambiental. As técnicas, além de contribuírem para evitar a produção de novos resíduos, aproveitam o que o próprio terreno pode oferecer, como terra, pedra, palha e madeira. Além disso, é importante observar os elementos naturais da região, como o sol e vento, para que se tornem aliados na obra.

O pau-a-pique, por exemplo, é uma dessas artes tradicionais e também eficiente. Normalmente associado a regiões mais pobres ou zonas rurais, a técnica, que foi muito utilizada no Brasil nos séculos XVIII e XIX, hoje tem sido valorizada e aprimorada. Não só pelas suas vantagens, com as já citadas acima, mas pela autonomia que pode gerar a comunidades, já que pode ser feita pelos próprios moradores.

Outras vantagens de se utilizar técnicas de bioconstrução (além da economia de material, baixo impacto ambiental e autonomia), incluem a rapidez de execução da obra e a eficiência energética, já que a terra é também um excelente isolante natural, resultando, assim, em economia nos gastos com refrigeração e aquecimento.

Quem tem feito isso na região de Juiz de Fora (MG) são três arquitetos e bioconstrutores, Nina Reis, Mateus Foscarini e Thiago Samico, com ideais de mundo semelhantes, prezando pela diversidade e cooperação, que se juntaram e fundaram o Taba Bambu. Taba em tupi-guarani significa aldeia construída através de mutirão; e Bambu, uma planta abundante utilizada desde os primórdios e que oferece um número incontável de utilizações. Além das construções, o Taba Bambu promove cursos junto às obras, não só pensando na propagação do conhecimento, mas na disponibilidade de mão de obra.

Desde o seu início, o grupo buscava “atitudes mais integradas à natureza, e uma arquitetura que minimizasse os impactos normalmente vistos, começamos a desenvolver projetos utilizando materiais naturais. Nesse momento nos deparamos com a quase inexistência de mão de obra. Com isso, e já gostando de trabalhos manuais, nós mesmos começamos a construir nossos projetos. Foi nesse processo que vimos a importância de nos juntamos à mão de obra local e pessoas interessadas em resgatar e disseminar ao máximo o conhecimento, sendo esse momento de troca e aprendizado fundamental em nosso caminho”.

O grupo constantemente mescla as diferentes técnicas, levando sempre em conta as condicionantes climáticas, a disponibilidade de materiais e pensando na durabilidade das residências. Grande parte do trabalho é feito, principalmente, utilizando o bambu, mas, para eles,

“as soluções são infinitas e a disponibilidade de materiais e a criatividade sempre nortearão a escolha”

São três as vertentes trabalhadas pelo Taba Bambu: projeto/bioconstrução, para residências, abrigos, chalés e espaços educacionais; estruturas efêmeras, principalmente de bambu, para festivais e intervenções, e educação ambiental, com os cursos, oficinas e vivências.

PAU A PIQUE: também conhecida como taipa de mão, é uma técnica construtiva antiga que consiste no entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transformava-se em parede. 

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ADOBE: Um dos mais antigos métodos de construção, consiste basicamente no modelamento de tijolos com terra crua, água e fibras naturais, principalmente palha. Junto com o pau a pique, foi uma das principais técnicas do período colonial no Brasil.

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SUPERADOBE: Consiste em sacos de polipropileno amarrados com arame, preenchidos com terra argilosa e moldado através do apiloamento por processo artesanal ou semi-industrial, através de pistões. A desvantagem do superadobe é a fragilidade à umidade, além do fato de que, para impermeabilizar, chapiscar e rebocar é necessário retirar o saco, colocando fogo no mesmo.

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HIPERADOBE: Para solucionar os problemas ambientais do superadobe, foi criado o hiperadobe, no qual são utilizados sacos de ráfia natural (costumam chamá-la de Raschel). Dispensa o arame farpado, pois o barro se difunde pela trama da ráfia de fibra natural e esta ainda serve de chapisco, podendo-se aplicar o reboco natural diretamente sobre ela.

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COB: O COB é um material de construção composto de argila, areia e palha, similar ao adobe. As paredes são grossas e servem como massa térmica, obtendo extremo conforto térmico. A técnica consiste em moldar as paredes como se fossem uma grande escultura. Com os pés, é feita uma mistura dos componentes, criando uma massa homogênea e plástica que será moldada. Após a mistura, são feitas bolas de argila colocadas uma em cima da outra, assim, levantando as paredes. Existe também a possibilidade de criar parte do mobiliário da casa como por exemplo estantes e bancos.

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Ficha Tecnica

Serviço Taba Bambu 

www.tababambu.com/

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tababambu@gmail.com

 

Revista Ipê