Os estudos sobre o autismo são relativamente recentes. Para se ter noção disso, basta saber que neste ano de 2017 ainda vive a primeira pessoa que recebeu este diagnóstico.

 

Tudo começou quando o eminente Psiquiatra Leo Kanner descreveu no ano de 1943 algumas crianças que apresentavam comportamento diferente do habitual. A começar pelo jovem Donald, filho de um advogado da cidade de Triplett no estado do Mississippi, o qual descrevia que seu filho “não demonstrava alegria quando vê o pai ou a mãe, e parecia fechado em sua concha e vivendo dentro de si”.

Donald completou 84 anos e vive em uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos.

O QUE É AUTISMO?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento em que há déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos bem como a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesse ou atividades, sendo estas alterações presentes desde o início do período de neurodesenvolvimento (embora possam não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades do indivíduo). Tais características podem se manifestar de forma e intensidade diferentes em cada indivíduo, por isso a utilização do termo ‘espectro’.

QUAL A PREVALÊNCIA?

É mais frequente em meninos, na proporção de 4:1, e tem-se observado aumento da prevalência. Na década de 1980 eram descritos 5 casos para cada 10.000 nascidos, enquanto as atuais estatísticas apontam para cerca de 147 casos para cada 10.000 (1 para cada 68). Para explicar esse aumento, temos que pensar os seguintes fatores: critérios diagnósticos se modificaram ao longo desse período, tornando-se mais abrangentes, o conhecimento do público faz com que mais pais procurem o diagnóstico. Contudo, várias pesquisas científicas estão sendo realizadas para esclarecer outros possíveis fatores envolvidos no aumento da prevalência.

O QUE CAUSA O AUTISMO?

A causa exata do TEA ainda não foi definida, sendo objeto de intensa pesquisa. Sabe-se que há uma influência genética importante. Há diversas alterações genéticas que tem como parte de sua expressão os sintomas do autismo, como a Síndrome de Rett, Síndrome do X Frágil, Fenilcetonúria e Esclerose Tuberosa. O modo pelo qual a predisposição genética interage com os fatores ambientais é o grande questionamento que tem sido feito.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é clínico, utilizando-se como base os critérios do DSM-5. Não existe um exame complementar que “comprove o autismo”. Outros exames como exames laboratoriais, exames de imagem, eletroencefalograma ou mesmo avaliação genética são realizados analisando-se cada caso, na tentativa de identificação de outras doenças.

COMO É FEITO
O TRATAMENTO?

O tratamento é multidisciplinar, com prioridade nos tratamentos de reabilitação. Envolve profissionais como Médico (Pediatra, Neurologista Infantil, Psiquiatra infantil), Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, Psicopedagogo, Professores, etc.

Considerando que cada caso é único, as terapias mais prioritárias devem ser definidas de acordo com cada necessidade.

O uso de medicamentos deve ser individualizado para cada tipo de paciente.


_MG_7666Dr. Natanael L. Mota

Neurologia Infantil – CRM/MG 55.964

• Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Regional João Penido – FHEMIG – Juiz de Fora.
• Residência Médica em Neurologia Infantil pelo Hospital Infantil João Paulo II – FHEMIG – BH.
• Membro da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil – ABENEPI.


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