Nesta edição vamos para Ityrapuan, comunidade rural que fica a 10 km de Lavras, sentido Itumirim. Ityrapuan é palavra de origem indígena que significa morro redondo. Referência às muitas serras que podem ser vistas dali. Esta trilha é um circuito, ou seja, vai e volta sem passar pelo mesmo lugar. Passaremos por estradas de terra, trilhas e asfalto.

Saindo do centro de Lavras, vamos até o Distrito Industrial, cruzamos o Bairro Bela Vista e pegamos a estrada de terra sentido Itumirim. É um “estradão” tranquilo, sem subidas difíceis. É um trecho agradável, com a Serrinha (Serra da Bocaina) à nossa direita o tempo todo e a típica paisagem rural da nossa região. Após pedalarmos por 10 km, chegamos a Ityrapuan, uma comunidade rural composta por fazendas, algumas casas, uma escola municipal, uma capela (São Judas Tadeu), mercearias, uma estação de trem abandonada e o Colégio Adventista. A estação ferroviária, inaugurada em 1923 e ativa por muitas décadas, encontra-se abandonada e em ruínas desde o fim da era do trem de passageiros na região.

Cruzamos a linha de trem e, em frente à portaria do Colégio Adventista, pegamos à direita, indo por uma estrada de terra. Um pouco adiante, uma subida não muito forte e um bom trecho praticamente plano, passando por vegetação de Cerrado e um cafezal. Belos exemplares de palmeira macaúba podem ser vistos ao longo da estrada. Ao final desse cafezal, saímos da estrada e pegamos uma trilha (finalmente uma trilha!) à direita, passando por uma pequena porteira e descendo por uma cava, totalmente coberta pelas copas das árvores. Ao sairmos dessa cava, damos início a uma subida leve, cruzando um Cerrado típico.

 Capela Sao Judas tadeu

Capela Sao Judas tadeu

A princípio, a vegetação do Cerrado pode parecer pobre, sem atrativos. No entanto, o Cerrado é um bioma com grande biodiversidade e abriga uma flora cuja beleza surpreende e encanta. Para usufruir dessa beleza, é preciso se aproximar, descer da bike, caminhar na vegetação e observar com atenção. Muitas vezes, as plantas com as flores mais belas não ultrapassam a altura de nossos joelhos. As árvores ali presentes são típicas dessa vegetação, ou seja, de pequeno porte, tortuosas e de casca grossa, como o pequizeiro e o barbatimão. A lobeira (ou fruta-de-lobo) chama a atenção por sua abundância, suas belas flores roxas e seus grandes frutos. Até esse ponto, já pedalamos por 14 km.

Cachoeira do Basalto

Cachoeira do Basalto

Após essa subida, pedalamos por um trecho plano da trilha, conhecido como “Trilha das gabirobas” por causa da abundância dessa espécie naquele local. A gabiroba é uma fruta típica do Cerrado, saborosa e rica em vitamina C, que amadurece em novembro-dezembro. Vários pássaros, peixes e répteis (como o lagarto-teiú) também apreciam essa fruta. Outra espécie frutífera presente nesse trecho é o araçá. E com muita atenção e um pouco de sorte, você poderá encontrar o cajuzinho-do-Cerrado, que também frutifica no final do ano.

Ao final desse trecho, viramos à direita e descemos 500 m em direção a uma cachoeira que recebe várias denominações, entre elas, Cachoeira do Basalto. A queda d’água é pequena, assim como o poço, mas é água suficiente para dar uma refrescada. A mata ciliar em volta do poço tem belas árvores, como o guanandi, a copaíba e o breu.

Estação de trem

Estação de trem

Voltamos para a trilha das gabirobas e seguimos nosso caminho por uma estrada de terra em meio a um eucaliptal. Passamos por uma fazenda e chegamos à Rodovia MG-354 (que liga Lavras a Luminárias), a poucos metros da entrada do Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito. Nesse ponto, já pedalamos por 18 km. Daí pra frente, só asfalto. Como essa rodovia não tem acostamento, devemos pedalar com muito cuidado. Mais 12 km e estamos de volta ao centro de Lavras. Total: 30 km. É uma das melhores opções de passeio de bike na nossa região. Como sempre, caso decida fazer esse pedal, é bom estar acompanhado, pelo menos na primeira vez, por alguém que conheça o caminho.


ITYRAPUAN

Distância: 30km – Percurso (ida e volta)

Tempo: 02:15:00


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José Márcio Faria Professor da UFLA

Revista Ipê