Tire todas as suas dúvidas com o ortopedista Ednaldo Bougleux da Silva Andrade e com a ginecologista Karla Zanolla Dias de Souza

À medida que envelhecemos ocorre uma perda natural e gradativa de massa óssea tanto em homens quanto em mulheres. Quando essa perda é tão significante a ponto de diminuir a densidade óssea abaixo de 2,5 desvios padrão em relação à densidade óssea média de um adulto jovem, é diagnosticada a osteoporose.

Assim, a osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e aumento do risco de fraturas. Na maioria dos casos, está relacionada com o envelhecimento.

Tire todas as suas dúvidas sobre essa doença com o ortopedista Ednaldo Bougleux da Silva Andrade e com a ginecologista Karla Zanolla Dias de Souza.

1- Como diagnosticar a osteoporose?

O melhor método para o diagnóstico da doença é a realização do rastreamento através da densitometria óssea, que permite avaliar o estágio da doença e serve como método de acompanhamento do tratamento.

O exame preventivo está indicado para pessoas que se enquadrem nos seguintes grupos de risco:

os que já sofreram múltiplas fraturas e mulheres que, na juventude, passaram períodos sem menstruar;

os que fumam, bebem muito, não praticam exercícios e que consumiram pouco leite e derivados (cálcio) na fase de crescimento;

os que utilizaram ou utilizam cortisona, hormônios da tireóide, anticonvulsivantes e imunossupressores depois de transplantes;

as pessoas com diabetes, insuficiência renal, cirrose ou hipertireoidismo, crianças com raquitismo ou outras doenças ósseas;

pessoas em tratamento de osteoporose, reposição hormonal ou em fase de uso de medicamentos como o alendronato, calcitonina, ipriflavona, cálcio e vitamina D;

mulheres na pós- menopausa;

pessoas com idade avançada.

2 – A osteoporose se instala silenciosamente?

Sim, a osteoporose é uma doença silenciosa. O primeiro sinal pode ocorrer quando ela já está numa fase mais avançada, com alguma fratura espontânea ou fratura de fragilidade.

3 – Deve ser prevenida desde a infância?

Erros nutricionais (baixa ingestão de cálcio, baixa ingestão de vitamina D3 ou baixa insolação para produção da mesma, situações para má absorção de alimentos), sedentarismo, algumas medicações (glicocorticoides, anticonvulsivantes) são fatores de risco importantes para osteoporose e, em sua maioria, controláveis. Hábitos saudáveis e controle adequados de doenças podem ter impacto positivo no controle da osteoporose no futuro.

Dra. Karla Zanolla Ginecologista - CRM 45571

Dra. Karla Zanolla
Ginecologista – CRM 45571

4 – É considerada uma doença feminina?

Na verdade, ela pode manifestar-se em mulheres e homens. Mas, atinge especialmente as mulheres depois da menopausa por causa da queda na produção do estrógeno, hormônio que possui papel central na remodelação óssea.

5 – Devo me preocupar com a osteoporose somente após a menopausa?

O pico de massa óssea é atingido ao final da adolescência e mantido até a quinta década pela ingestão alimentar adequada de cálcio e vitamina D e pela prática de exercício físico, portanto o risco é maior em pacientes após a menopausa. Entretanto, pacientes que possuem fatores de risco devem procurar avaliação médica antes mesmo da menopausa, pois também apresentam risco de desenvolver a doença.

6 – É uma doença genética?

Durante os últimos anos, a genética molecular tem se tornado de extrema significância para a pesquisa médica.  Por exemplo, variações alélicas no gene receptor da vitamina D (VDR) têm sido relatadas como responsáveis pela alteração da homeostase de cálcio, com efeitos subsequentes sobre o tamanho e a densidade óssea, o receptor da calcitonina (CTR) na densidade mineral óssea, as mulheres com genótipo recessivo mostraram menor densidade mineral óssea na região lombar, em comparação ao genótipo heterozigoto, e o gene do colágeno tipo I alfa 1 (COLIA1) está associado com a massa óssea e propensão a fraturas. Sendo assim, não há dúvida sobre a evidente participação genética na densidade, forma, tamanho e modificação óssea. Em qualquer idade ou fase da vida, a herança genética contribui de modo significativo nesses processos, embora haja a interação do genótipo com fatores do ambiente, tais como a dieta e o estilo de vida.final7 – Quem não gosta de leite apresenta maior risco de ter osteoporose?

O cálcio é fundamental na formação óssea. Sua obtenção a partir da ingestão de alimentos como brócolis, espinafre, peixes e derivados do leite é imprescindível para a prevenção.

8 – O sol previne a osteoporose?

A vitamina D é produzida naturalmente por ação dos raios UVB do Sol sobre o 7-dihidrocolesterol circulante sob a pele irradiada, transformando-o no colicalciferol ou vitamina D3. Esta por sua vez atua na absorção intestinal do cálcio alimentar e na reabsorção tubular renal do cálcio urinário. Reduz os níveis de hormônios da paratireoide (PTH) e estimula a osteogênese pelos osteoblastos, células que participam da formação óssea. Logo a ação solar tem papel importante no metabolismo do cálcio e na gênese óssea.

9 – Excesso de fumo e álcool pode causar osteoporose?

O cigarro é considerado fator de risco moderado para a osteoporose, uma vez que os componentes químicos do cigarro, entre eles a nicotina, atuam deprimindo a atividade do osteoblasto, tanto diretamente como por via hormonal. É pertinente ressaltar que os efeitos deletérios do cigarro não ficam restritos apenas a indivíduos idosos. Há relatos de perda de massa óssea em homens jovens e saudáveis, considerados fumantes pesados (mais de 21 cigarros/dia).

Relativo ao consumo de álcool, parece haver um efeito direto sobre os osteoblastos, determinando diminuição nos níveis de osteocalcina nos estágios iniciais, além de mudanças histomorfométricas em etapas posteriores. Há também relatos não somente da diminuição da formação óssea, bem como de aumento de reabsorção.

Em alcoólatras crônicos, os níveis séricos de vitamina D e seus metabolites diminuem, independentemente da presença de qualquer hepatopatia. O consumo de bebidas alcoólicas que excede a 200 ml por semana pode interferir nos níveis estrogênicos e isso estaria associado com o aparecimento da osteoporose.

Dr Ednaldo Bougleux  Ortopedia e Tramatologia - CRM/MG 47523

Dr Ednaldo Bougleux
Ortopedia e Tramatologia – CRM/MG 47523

10 – O sedentarismo pode provocar a doença?

Sim. O exercício físico constitui um importante estímulo para a formação e o fortalecimento dos ossos. Grandes períodos de imobilização e a falta de exercícios podem levar à osteoporose.

11 – Algum medicamento pode causar a osteoporose?

Alguns medicamentos como: glicocorticoides, anticonvulsivantes (fenobarbital, fenitoína e, em menor escala, carbamazepina e ácido valpróico), agentes imunossupressores (ciclosporina, tacrolimo, micofenolato), anticoagulantes (heparina não fracionada e, em  menor escala, heparina de baixo peso molecular, a longo prazo), agentes hormonais e anti-hormonais (medroxiprogesterona de depósito, tamoxifeno nas mulheres na pré- menopausa, inibidores da aromatase nas mulheres na pós-menopausa, agonistas do GnRH, dose supressiva de hormônio tireoidiano, pioglitazona e rosiglitazona) favorecem a redução da massa óssea.

12 – Quem tem osteoporose pode praticar atividade física?

Exercícios envolvendo treinamento de resistência (apropriada para a idade do indivíduo) e sua capacidade funcional e exercícios aeróbicos devem ser recomendados para pessoas com osteoporose.

13 – Quais os locais mais comuns atingidos pela osteoporose?

As lesões mais frequentes são as fraturas vertebrais, que apresentam como consequência: dor lombar, perda de estatura, deformidades ósseas, redução da função pulmonar, diminuição da qualidade de vida e aumento da mortalidade. Já as fraturas de quadril são as mais devastadoras uma vez que resultam em hospitalização podendo causar incapacidade grave e apresentam elevada taxa de mortalidade.

14 – Quais são as formas de tratamento?

Vale lembrar que o papel da reposição de cálcio e vitamina D é muito importante, mas de forma alguma substitui o tratamento da doença. O arsenal terapêutico disponível para quem tem osteoporose é vasto e inclui drogas orais ou injetáveis, com variados esquemas posológicos. Para as mulheres que já apresentam sintomas da osteoporose, o principal tratamento é a reposição hormonal, já que, com a redução do estrogênio na menopausa, acelera-se a perda óssea.


Dr Ednaldo Bougleux

Ortopedia e Tramatologia – CRM/MG 47523

• Residência médica em ortopedia e traumatologia pelo hospital IPSEMG
• Título de especialista em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT
• Residência médica em medicina e cirurgia do tornozelo e pé pelo hospital IPSEMG


Dra. Karla Zanolla

Ginecologista – CRM 45571

Ginecologista, Obstetra e Reprodução Humana

• Especialista em ginecologia e obstetrícia pelo IPSEMG
• Especialista em Reprodução Humana pela UFMG
• Mestre em ginecologia pela UFMG
• Professora do DSA da UFLA


Rua Dr. João Silva Pena, 88, Centro.

(35) 3409-1004
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Revista Ipê