Inúmeras pacientes são diagnosticadas diariamente com ovários policísticos após a realização de exames de ultrassonografia. Porém, é importante lembrar que existe uma grande diferença entre possuir ovários polimicrocísticos ao ultrassom e o diagnóstico da Síndrome do Ovário Policístico. (SOP)

Sendo assim, para o diagnóstico de SOP é necessário que a paciente, sem estar em uso de contraceptivos, preencha dois de três critérios que devem ser avaliados pelo ginecologista, e também excluir a possibilidade de outras doenças que causam sintomas semelhantes como distúrbios da tireóide ou das glândulas adrenais, tumores ovarianos e síndromes cromossômicas.

SÃO ELES:

• Ciclo menstrual irregular;

• Sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo (aumento do nível de andrógenos no sangue, ou apresentação de sinais  como acne e hirsutismo);

• Presença de múltiplos cistos no ovário determinado a partir de ultrassonografia realizado obrigatoriamente na fase folicular;

A origem da SOP ainda não está plenamente estabelecida, mas acredita-se que seja devido à resistência à insulina nas células ovarianas, gerando um desequilíbrio na síntese dos hormônios sexuais.

A SOP afeta de 4 a 12% das mulheres em idade reprodutiva e, frequentemente, as pacientes apresentam irregularidade menstrual, acne, aumento de pêlo no corpo e no rosto, além de queda de cabelo. A resistência à insulina também é comum e se apresenta com a acantose nigricans, que é um espessamento e escurecimento da pele em dobras como o pescoço e axilas, e com a elevação da glicose sanguínea.

Sendo assim, estas pacientes estão mais propensas a desenvolver: obesidade; hipertensão arterial; sangramento uterino anormal e consequentemente anemia causada por sangramento vaginal; colesterol e triglicérides alterados; doenças cardiovasculares; câncer de endométrio e dificuldade para engravidar.

O principal objetivo no tratamento da SOP consiste em diminuir a quantidade de testosterona no sangue; induzir a ovulação, se desejada; proteger o endométrio e diminuir a resistência à insulina e suas consequências. O tratamento é realizado principalmente com mudanças do hábito de vida mantendo uma alimentação balanceada, prática de atividade física regular; perda de peso nas pacientes com sobrepeso/obesidade e não fazer uso de cigarros e de bebidas alcoólicas. Essas mudanças podem contribuir para a diminuição da resistência insulínica, regulação dos ciclos menstruais e em alguns casos retorno da fertilidade. Tratamentos farmacológicos só são indicados na falha das mudanças de hábito em resolver completamente os sintomas. No manejo da irregularidade menstrual, recomenda-se o uso de contraceptivos para as pacientes que não desejam engravidar e também reduzem a produção de andrógenos. Caso a paciente portadora de SOP queira engravidar e apresente quadro de infertilidade associada, indutores de ovulação podem ser avaliados e, nos casos mais severos, Técnicas de Reprodução Assistida. Para o hirsutismo, medicamentos que bloqueiam os hormônios andrógenos ou tratamentos a laser podem ser indicados.


Dra. Karla Zanolla

Ginecologista, Obstetra e Reprodução Humana.
Especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Ipsemg
Especialista em Reprodução Humana pela UFMG
Mestre em ginecologia pela UFMG
Professora do DSA da UFLA

Rua Dr. João Silva Pena, 88, Centro.
Contato: (35) 3409 -1004 / (35) 99908 -1004

Revista Ipê