Tatuagens originais

As tatuagens exclusivas têm chamado a atenção de quem deseja transformar parte do seu corpo em arte. É necessário confiar em profissionais que tenham a habilidade de realizar uma verdadeira obra, são os tatuadores artistas, que dão um toque autoral em cada desenho produzido. “Tem muito de mim em cada trabalho que eu faço”, comenta a tatuadora Fernanda Lhama, que virou sensação em Lavras por sua originalidade.

Formada em Design Gráfico, Fernanda sempre esteve inserida na arte. Durante a faculdade, além de toda a experiência obtida nos estudos, conseguiu realizar novos contatos, que possibilitaram trilhar seus passos e traços no mundo da tatuagem. “Tudo começou em Belo Horizonte, com o tatuador André Dequinha, especialista em realismo. Ele é excepcional e me deu todo o apoio, compartilhando as suas habilidades e me ensinando na amizade. Dequinha não é desse mundo, é uma pessoa ímpar. Ainda hoje ele me ajuda muito”, comenta Fernanda.

A veia artística também vem de família. A mãe, Denize, é artista plástica. E outra pessoa que a influenciou foi a sua madrasta, Mauri, que era empresária no ramo da moda, que possibilitou a inserção de Fernanda, como estagiária, em excelentes empresas. Já o pai, Marcílio, médico, apesar de ser de uma área completamente diferente, sempre apoiou o futuro da tatuadora. “Ele viu que eu poderia colocar meu dom de desenhista nas tatuagens e me deu muita força”. Além do dom pelo desenho estar na alma, a tatuadora já realizou diversos cursos e viagens profissionais.

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Fernanda Lhama

Fernanda começou sua carreira na tatuagem com apenas 24 anos. Hoje, aos 28, ela já se destaca no mercado, com um aglomerado de desenhos únicos, resultado de um processo meticuloso. “A demanda em Lavras cresceu muito rápido, a notícia circulou e as pessoas começaram a me procurar justamente por eu criar desenhos exclusivos”. Lidar com todo o processo de criação mais os atendimentos, não é fácil. Por isso, Fernanda conta com a ajuda da sua noiva Rafaela Teixeira, que possui mais experiência administrativa.

Sobre o estilo, Fernanda não se prende a rótulos. Tudo depende do que o cliente deseja. Por isso, ela possui diversas ferramentas, para realizar todo tipo de traço, com muita riqueza em cada detalhe. “Realizo todo um projeto. Primeiramente converso com a pessoa, para entender o que ela deseja e depois crio o desenho exclusivo. Após aprovação, realizamos a tatuagem. Não acho correto apenas reproduzir a arte de outro tatuador, é necessário ter minha originalidade, meu toque. Por isso, não curto muito as tatuagens comerciais, com desenhos já prontos. Gosto de fazer um trabalho autoral, que envolve um processo de criação”.

Em trabalhos tão minuciosos e realistas, Fernanda ainda percebe preconceitos. “Quando faço uma tatuagem mais rica em detalhes, e algum amigo a apresenta para alguém, a pergunta é sempre: ‘quem é o TATUADOR?’. Quando eles falam que é uma TATUADORA, as pessoas costumam ficar surpresas, como se não fosse possível”, conta.

E, para criar tão livremente, a música é a sua melhor companhia. “Depende muito do que escuto no momento. Quando pego algo para ouvir, fico naquilo muito tempo, até fazer uma imersão mesmo, dissecar cada minuto”, destaca Fernanda. Ela confessa que atualmente o seu vício é o álbum Tábua da Esmeralda, de Jorge Ben Jor.

Revista Ipê