Aplicativo possibilita a recuperação das nascentes de Lavras

O aplicativo “Plantadores de Rios” tem âmbito nacional, mas para que Lavras seja um exemplo ambiental, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Prefeitura Municipal iniciaram uma forte campanha, com o objetivo de recuperar 766 nascentes que estão em situação crítica no município. Com o apoio de toda a população lavrense e empresários da região, será possível recompor a vegetação nativa de 169,91 hectares.

O aplicativo permitirá a interação de proprietários de imóveis rurais cadastrados no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) com pessoas e instituições que queiram ajudar na proteção e recuperação dessas áreas. Essa nova alternativa foi desenvolvida pelo Laboratório de Manejo Florestal do Departamento de Ciências Florestais (DCF/UFLA) e pelo Serviço Florestal Brasileiro. A iniciativa vai ao encontro do combate à crise hídrica no País.

Em Lavras, inicialmente, será realizada a estratificação das nascentes por setores rurais e classificação dos setores por grau de degradação, além da estratificação por micro-bacias cadastrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Toda a equipe técnica do projeto será capacitada para que seja realizado um trabalho de recuperação das nascentes junto ao produtor.

O reitor da UFLA, professor José Roberto Soares Scolforo, explica a importância de se fazer a revegetação das áreas de Lavras no combate à crise hídrica. “A vegetação nativa quebra a velocidade da água, cria condições de maior infiltração no solo, possibilitando o abastecimento do lençol freático. O que buscamos com esse projeto é ampliar a capacidade de produção de água, na medida em que um número muito significativo de nascentes está sem vegetação no seu entorno”, destaca o professor.

O prefeito de Lavras, José Cherem, ressalta ainda a dimensão do projeto que será aplicado na cidade. “É um programa ambicioso, mas com um objetivo prático e por isso tem tudo para ser concretizado. Mas, é necessário nos unir, para realmente ser executado. Será uma nova dinâmica para mudar essa situação em Lavras”.

Para o diretor de Tecnologia da Informação do Lemaf, Samuel Campos, o programa vem para trabalhar e conscientizar a sociedade de que os rios precisam de árvores para sua preservação. “Quando pensamos em falta de água, só percebemos quando abrimos a torneira e não temos água disponível. É preciso evitar que cheguemos a esse ponto”, comenta Samuel.

O reitor também enfatiza o engajamento social do programa, que permitirá a contribuição de toda a sociedade, principalmente em regiões mais precárias, com a presença de produtores menores. “Há nascentes que são para o consumo diário dos proprietários, mas temos uma infinidade que contribui para formar riachos e até mesmo rios maiores, sendo importante para toda a população. Essa adoção pode ser realizada de diversas formas, por meio de instruções técnicas, ensinando como fazer a revegetação, ou com a doação de mudas, adubos, cercas, entre outras iniciativas. A obrigação disso é do proprietário rural; no entanto, não é só ele que se beneficia da água das nascentes – por isso, é preciso essa mobilização social, visto que é um bem essencial a todos”, afirma o reitor.

O APLICATIVO

O aplicativo “Plantadores de Rios” já está disponível na Play Store e App Store. Basta fazer o download para ser um apoiador. Com apenas um clique, todos podem mudar Lavras, Minas Gerais e o País.

“O sistema funciona da seguinte forma: você faz o download do aplicativo no seu celular e, assim, visualiza quais as nascentes próximas a você que precisam de recomposição. Após localizar, você pode adotar uma nascente. Existem várias formas de colaborar, desde doar mudas, até ajudar no cercamento da nascente, na educação ambiental, mostrar tecnicamente ao produtor qual a melhor forma de restauração”, explica Samuel.

Além de fornecer dados sobre a nascente, o aplicativo sugere ao interessado quais são as melhores mudas e espécies para aquela região e ainda formas de plantio. Samuel ressalta que a UFLA, além de idealizadora, é uma das instituições patrocinadoras do projeto, atuando efetivamente na execução do programa, por meio da atual campanha em Lavras.

NO BRASIL

Já foram mapeados 15 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) no Brasil, das quais 6 milhões precisam ser recuperados. Além disso, o sistema já cadastrou 1,5 milhão de nascentes. O diretor do Serviço Florestal Brasileiro e responsável pela gestão e coordenação do CAR, Raimundo Deusdará Filho, ressalta que 51% de proprietários e posseiros inscritos no CAR manifestaram interesse em aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e 18% deles desejam fazer reflorestamentos para recuperar suas áreas.

Deusdará Filho acredita que o número de nascentes no País seja ainda maior; contudo, ele ressalta a relevância dos dados já obtidos, visto que, até então, não havia nenhum registro. “Agora, por meio desse aplicativo, desenvolvido em parceria com a UFLA, será possível o envolvimento dos cidadãos, das empresas e universidades. Algo que permita que todos vejam as nascentes do Brasil e possam apadrinhá-las, auxiliando de diversas formas. Tudo isso é o resultado de muito esforço, sendo motivo de muito orgulho”.

Para o reitor da UFLA, essa é uma contribuição tanto para o presente quanto para o futuro de todos, na linha do verdadeiro desenvolvimento sustentável do País. “A UFLA, através do Lemaf, contribuiu com o Serviço Florestal Brasileiro e com o Ministério do Meio Ambiente de maneira decisiva, para que o Sicar fosse viabilizado. Agora temos ainda um importante subproduto – o ‘Plantadores de Rios’, e muitos outros que ainda serão gerados pela nossa Universidade. É a UFLA marcando, mais uma vez, posição no cenário nacional, contribuindo decisivamente para que esse conceito seja cada vez mais difundido”, complementa o reitor.

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Por Camila Caetano

Revista Ipê