Banda celebra sua história de Rock ‘n’Roll

A banda brasiliense Raimundos acaba de lançar seu novo DVD acústico. A turnê teve início em maio, com shows em Paulínia, São Paulo e Jundiaí. Raimundos levou o peso de suas canções e a energia de suas performances ao vivo em versões acústicas. Ninguém ficou parado do primeiro ao último acorde, afinal é Rock ‘n’Roll!

Gravado em Curitiba, em novembro de 2016, o álbum contou com as participações de Dinho Ouro Preto, Ivete Sangalo, Alexandre Carlo (Natiruts), Marcão (Charlie Brown Jr.), Oriente e Fred Castro. O DVD e a turnê Acústico mostram a alma de uma banda que não entrega os pontos e se reinventa a cada novo trabalho. Raimundos tem lugar de honra na história do rock nacional e nos corações de seus fãs.

A GRAVAÇÃO

Para a gravação, em Curitiba, o público participou ativamente da escolha do repertório por meio de votação na internet e entre as 10 canções selecionadas não podiam faltar “Puteiro em João Pessoa” e “Esporrei na Manivela”. Fãs de todo o país lotaram o local para ver de perto mais um capítulo da história de um dos maiores expoentes do rock nacional.

A completa interação entre banda e público transformou as duas noites de gravação em uma inesquecível celebração, fazendo com que todos se emocionassem e os fãs se sentissem parte essencial nessa história. Foi um momento para realmente ficar na história dos “mininus” de Brasília.

Acompanhados por Marcão, ex-guitarrista do Charlie Brown Jr, no violão; Jorge Bittar, no piano; e Renato Azambuja, na percussão, os Raimundos abriram o show com “Gordelícia”, do álbum Cantigas de Roda. Os novos arranjos para os antigos sucessos dos Raimundos também foram enriquecidos com a participação de Alexandre Brasolim e Juliane Weingartner (violinos), Samuel Pessatti e Péricles Gomes (cellos), Felippe Pipeta (trompete), Pedro Vithor (sax barítono) e Will (trombone).

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Na sequência, “Palhas do Coqueiro”, “O Pão da Minha Prima” e “Papeau Nuky Doe”. O repertório, que mesclou canções de todas as fases da carreira dos Raimundos, também contou com “Rapante”, “Sereia da Pedreira”, “El Mariachi”, “Opa Peraí Caceta” e “Nega Jurema”.

Rick, filho mais velho de Digão, participou de “I Saw You Saying”. Ao ver o filho ao piano, Digão não conteve a emoção e foi às lágrimas nas duas noites de gravação. Outro momento marcante foi a participação de Fred Castro, baterista da formação original, em “Selim” e “Cintura Fina”. Apesar de mais tranquilo na segunda noite, a emoção dele e dos ex-companheiros de banda era visível.

Os outros convidados se dividiram nas duas noites de gravação. Na primeira, a banda Oriente, de Niterói, dividiu o palco com os Raimundos em “Dubmundos” e incendiou o teatro com muita energia. Em “Liberdade de Expressão” foi a vez de Alexandre Carlo (Natiruts) subir ao palco e emocionar os fãs com seu timbre de voz marcante.

Dinho Ouro Preto cantou “Mulher de Fases”, faixa constante no repertório dos shows do Capital Inicial. A participação que mais gerou expectativa foi a de Ivete Sangalo. A cantora baiana foi só elogios à banda e esbanjou simpatia em “Baculejo” e “A Mais Pedida”. Ivete ainda se arriscou na bateria, em uma jam, e ganhou todos com seu carisma.

Para fechar as duas noites, a banda escolheu as pesadas – e mais votadas pelo público – “Puteiro em João Pessoa”, “Esporrei na Manivela” e “Eu Quero Ver o Oco”. Mas, mesmo deixando as distorções e guitarras de lado, as versões acústicas mantiveram o peso característico das canções e da banda ao vivo.


ENTREVISTA EXCLUSIVA DA BANDA
RAIMUNDOS PARA A
REVISTA IPÊ:

• REVISTA IPÊ: Sobre o acústico, como foi a recepção do público? E como é tocar “desplugado” depois de algum tempo?

DIGÃO: Foi maravilhosa! O Acústico é muito bom de tocar, imagino que “ver” deve ser melhor ainda (risos). É uma pegada diferente, sempre gostei de tocar violão, o show vai numa crescente constante e termina lá em cima, uma experiência sensorial!

• REVISTA IPÊ: Como foi tocar novamente com o antigo companheiro de banda, o Fred?

DIGÃO: Quando Fred entra, traz aquela nostalgia. Ele carrega a boa lembrança e que soma demais com essa fase! O Fred sempre esteve perto graças a Deus.

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• REVISTA IPÊ: Após esse acústico, vocês já pensam em mais um disco de inéditas?

DIGÃO: Com certeza será algo inédito. Não estamos trabalhando ainda, mas já existem muitos riffs guardados.

• REVISTA IPÊ: Como foram as outras participações? E a escolha?

DIGÃO: A escolha foi pela empatia e o ineditismo, todas tiveram um brilho especial que trouxe uma vibração positiva muito forte! É sempre bom ter os amigos por perto.

• REVISTA IPÊ: Como vocês enxergam o cenário do rock nacional hoje e o que mudou?

DIGÃO: Eu acredito que o rock vai bem para quem faz rock de verdade. O que mudou é que não consigo ver o sucesso desse main stream atual, pois são cartas marcadas de um jogo que só anda a base de subsídio, propina, etc. Então, quando falam que o rock vai “mal” eu me pergunto: Mas de que rock estão falando!? Quem está mal é o nosso país com essa corrupção geral sem fim….


Fotos: Pablo Vaz

Revista Ipê