Em 8 de dezembro de 1713, o arraial alcançou foros de vila com
o nome de São João del-Rei

São João del-Rei surgiu do movimento do bandeirismo paulista, sendo esta região rota de passagem de uma das estradas mais importantes e antigas de todas para acesso às regiões mineradoras, o Caminho Geral do Sertão, celebrizado pela passagem de muitos bandeirantes no final do século XVII, a partir da famosa Bandeira das Esmeraldas, expedição chefiada por Fernão Dias Paes.

Vários outros aventureiros seguiram com sua gente em sucessivas expedições pelos anos consecutivos, na atividade de prear índios e investigar riquezas minerais. Em data incerta dos últimos anos dos seiscentos, estabeleceu-se em São João o bandeirante paulista Tomé Portes del-Rei, com sua família, agregados e escravos, nas imediações do Rio das Mortes, próximo ao local de travessia, que ficou conhecido como Porto Real da Passagem.IMGP0054-2

Tomé Portes afazendou-se e fez riqueza do comércio fornecendo mantimentos e víveres para os viandantes; pousada e canoas de travessia fluvial. No ano de 1701 foi nomeado guarda-mor distrital, sendo a primeira autoridade da região e fundador do núcleo habitacional que deu origem a São João del-Rei, então conhecido por Arraial do Rio das Mortes, na área do atual bairro de Matosinhos. Ao longo do vale deste rio, surgiram áreas de mineração e arraiais, sendo importante zona de povoação do interior mineiro.

As abundantes descobertas auríferas de 1704 levaram muitos aventureiros à região, na ambição da riqueza, e fez surgir no ano seguinte outro arraial, cognominado “Novo”, sob o padroado de Nossa Senhora do Pilar, já sob a guarda-moria de Antônio Garcia da Cunha, genro de Tomé Portes, que, por sua morte, assumiu o cargo. Os forasteiros, intitulados pejorativamente de emboabas, se opunham aos paulistas descobridores das minas, o que redundou num conflito armado conhecido por “Guerra dos Emboabas” (1707-1709). O arraial novo foi destruído na contenda. Esfriada a peleja, o arraial se recompôs e cresceu vertiginosamente.

Em 1713, o Arraial do Rio das Mortes passou a vila com o nome de São João del-Rei e, no ano seguinte, a sede de comarca, com jurisdição agigantada sobre o centro-sul, sul, sudoeste e oeste do atual estado de Minas Gerais. A elevação à categoria de cidade se deu em 1838.

Rua da Cachaça

Rua da Cachaça

São João del-Rei experimentou um franco crescimento e se tornou um polo comercial na sua região. O desenvolvimento que alcançou no século XIX levou a Câmara a investir na urbanização. A evolução da vila e depois cidade impressionou aos viajantes oitocentistas que consignaram em seus relatos de viagem elevados elogios à urbe, como uma das localidades mais destacadas da província. Também chamou a atenção de artistas, que em aquarelas e litogravuras, registraram sua visão do lugar, ressaltando sua civilidade.

Os dados históricos refletem que do fim dos setecentos a meados dos oitocentos a presença administrativa se acentuou com ações do poder público produzindo obras tais como alinhamento de vias, edificação de pontes, instalação de chafarizes. O ponto culminante dos oitocentos é a inauguração da Estação Ferroviária Oeste de Minas.

O crescimento se acelera no século XX, com múltiplos esforços de urbanização. Destaca-se o papel da indústria, notadamente a têxtil, seguida da metalúrgica, impulsionando a economia.

Já no início do século XXI, São João del-Rei se desponta como cidade universitária, sem dispensar o crescente papel do turismo na economia.


Por Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João Del Rei
Fotos: Alberto Lopes

 

Revista Ipê