A ligação entre Lavras, o Gammon e a Nasa

Câmera, luz e espaço. Foi nessa trajetória que um jovem norte-americano formado pela Texas A&M se tornou um notável cientista que mostrou, por meio de teoria e prática, que as façanhas aeroespaciais teriam um futuro inimaginável. John Maxwell Stout era dono de uma mente brilhante. Seu expressivo índice de conhecimento sobre a Física e a Química foi capaz de prever, ainda na década de 1940, a viagem do homem à Lua. Se engana quem pensa que Stout foi mais um desses pesquisadores mostrados apenas na mídia: ele viveu em Lavras e atuou como docente no Instituto Presbiteriano Gammon e na Escola Superior de Agricultura de Lavras (Esal). O que contarei a seguir é de estremecer os livros.

Durante a famosa Guerra Fria, a Rússia lançou o primeiro satélite artificial: o Sputnik. Era o início de uma era que tornou sonhos em realidade.  O que pouca gente sabe é que o primeiro registro fotográfico feito em terra aconteceu no atual câmpus histórico da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Após cálculos extremamente complexos e um exercício profundo da paciência, Stout registrou a mais nova invenção russa em órbita. Ex-alunos que testemunharam o evento disseram que o cientista isolou a área para que tivesse condições de total concentração na busca pela imagem do satélite. Até mesmo o som do Sputnik foi captado naquela noite que marcaria a carreira desse desbravador espacial.

Fotos feita da SPUTNIK

Imagens Capturadas em tempo real na noite de 1957 em Lavras

Matéria de capa do Jornal do Brasil

Vários veículos de comunicação da época, a exemplo do Jornal do Brasil e Folha de Minas, estamparam na primeira capa a grande matéria que fez Lavras mais uma vez ser citada internacionalmente. Após alguns anos de dedicação à docência, Stout foi convidado a integrar o time de profissionais da recém-criada Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço – NASA. Lá também atuou como capelão e, conforme ele mesmo registra, foi o responsável por encaminhar a primeira Bíblia ao espaço. Para que a missão fosse cumprida, todo o conteúdo das Escrituras foi gravado em um chip. Anos depois, o pesquisador foi agraciado com a medalha Apollo Achievement Award por seu trabalho durante as fases do programa que levou o homem à lua.

Stout testando o equipamento em Lavras

O professor John Stout, em Lavras, na rota do “Explorador”

Em minha recente busca pela história desse ícone da ciência, descobri muitos outros fatos que ofereceriam temas para filmes e séries nos famosos estúdios de Hollywood. Três meses após meu primeiro contato fui informado, por meio de um amigo próximo do professor Stout, que seu falecimento havia ocorrido em dezembro de 2016.

Foram 94 anos dos quais oito décadas foram dedicadas a uma vida confessional e de muita pesquisa. Criado sob uma vertente protestante presbiteriana, o cientista fazia de sua própria casa um laboratório para experimentos que resultaram até em uma câmera fotográfica que fazia fotos em 360º, muito antes dos equipamentos de alta tecnologia que conhecemos hoje. Seu legado foi um misto de fé e ciência em prol da humanidade.

Professor Stout na NASA

Professor Stout na NASA

Revista Ipê