O veganismo rejeita produtos e alimentos de origem animal.
Mais do que alimentação, é um estilo de vida.

Por Marina Alvarenga Botelho


O veganismo rejeita produtos e alimentos de origem animal. Mais do que alimentação, é um estilo de vida.

A busca por um estilo de vida mais saudável e sustentável tem se tornado um movimento crescente do século XXI. Uma das opções abraçadas por quem opta por esse caminho é a do veganismo. Só no Brasil, até 2012, cerca de 15,2 milhões de pessoas eram vegetarianas, o equivalente a 8% da população brasileira. Dentre elas, o número aproximado de veganos é de 5 milhões, sendo que, nesses últimos quatro anos, embora não haja dados oficiais, o que se observa é um aumento gradual no número de adeptos.

Ser vegano é mais do que alimentação, é um estilo de vida. O veganismo é uma vertente mais ampla do vegetarianismo, por assim dizer. Além de não comer carne ou qualquer produto derivado de origem animal, quem opta por esse estilo de vida não consome nada que tenha sido testado em animais, ou qualquer coisa que passe por processos de maus-tratos e crueldade, de cosméticos a roupas e corantes de alimentos. Também não apoiam práticas como rodeios, touradas, rinhas, em suma, qualquer atividade envolvendo exploração animal.

A Revista Ipê conversou com duas veganas e dois veganos, a fim de conhecer um pouco sobre seus processos e experiências. O estudante de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Pedro Carbogim, é vegano há um ano e acredita que “Ser vegano, é, acima de tudo, uma opção política. Não concordo em condicionar a existência de um animal aos caprichos do meu paladar, transformando-os em produtos. Além disso, todas as substâncias que necessitamos são encontradas nos vegetais.”

Para Anderson Rodrigues, atualmente dono da empresa de produtos veganos, Vida Veg, o veganismo possui três pilares: a ética, que envolve a não exploração de animais; a saúde, já que há estudos científicos recentes comprovando que uma alimentação baseada em origem vegetal, desde que equilibrada, é mais saudável e evita várias doenças oriundas principalmente do consumo de produtos de origem animal, como por exemplo doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, entre outros; e preservação do meio ambiente – um exemplo é que 80% da Amazônia é desmatada para fazer pasto para animais ou para plantar soja e milho para fazer rações. 

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Veganismo é uma filosofia e estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade; e, por extensão, que promova o desenvolvimento e uso de alternativas livres de origem animal para benefício de humanos, animais e meio ambiente. (livre tradução de “The Vegan Society”, grupo que criou o termo “Veganismo”, fundado em 1944 no Reino Unido, retirada do site veganismo.org.br)

OS BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO VEGANA

Muitos são os mitos do senso comum sobre a alimentação vegana. Como explica a nutricionista Priscilla Lopes, “um dos grandes mitos é que o veganismo significará sempre uma restrição alimentar fisiologicamente prejudicial ao organismo, com deficiência de alguns nutrientes predominantemente presentes em alimentos de origem animal. Porém, quando bem planejada, a dieta vegana pode ofertar os nutrientes que uma pessoa precisa. Dentro disso, existe também uma ideia de que apenas adultos saudáveis podem aderir a esse tipo de alimentação. A dieta vegana pode ser adotada em qualquer fase da vida. Isso significa que crianças, gestantes, idosos e até mesmo atletas podem adotar esse perfil alimentar sem que haja prejuízo no crescimento, desenvolvimento ou performance esportiva”.

Dentre seus benefícios está a grande disponibilidade de vitaminas, minerais, carboidratos e lipídios de boa qualidade encontrados em alimentos de origem vegetal. Além disso, a dieta vegana disponibiliza apenas o chamado colesterol bom, que é necessário à saúde humana e pode ser encontrado em oleaginosas, azeite e outros óleos vegetais. O estudante de agronomia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e professor de inglês, Thiago Rossi, enumera alguns dos benefícios que o veganismo trouxe à sua vida: “economia nas compras; refeições mais leves e conscientes nutricionalmente; consumo consciente; saúde equilibrada e a consciência tranquila por saber que aquilo que estou consumindo (alimentício ou não) não envolveu sofrimento aos animais”.

Em relação ao bem estar, a nutricionista Priscilla ainda explica: “os últimos estudos na área mostram uma relação positiva entre alimentação restrita em produtos de origem animal e menor incidência de algumas doenças cardiovasculares, como hipertensão e dislipidemias”. No entanto, ressalta também a importância do acompanhamento médico e nutricional.

A doutoranda em Engenharia Florestal da UFLA, Polyanne Coelho, é vegana há três anos e comenta: “Após me tornar vegana, me senti muito mais disposta no dia a dia. A digestão dos alimentos é mais fácil e o humor agradece. Faço exames periódicos e está tudo em ordem. Também é mais fácil manter o peso. E a consciência fica muito mais tranquila, pois sei que não estou financiando nenhum tipo de tortura a inocentes”.

Dentre os quatro entrevistados para a nossa matéria, uma coisa foi unânime: todos relataram que, após um tempo do início da dieta, o corpo agradeceu, a digestão ficou mais leve e o sistema imunológico melhorou consideravelmente. Todos relataram que raramente ficam doentes, possuem muito mais autoconhecimento, passaram a realmente sentir o sabor dos alimentos e entenderam o que é saciedade.

MAS… O QUE O VEGANO COME?

Com exceção da vitamina B12, todos os demais nutrientes podem ser encontrados nos alimentos de origem vegetal. No entanto, é necessário o acompanhamento médico, com a realização regular de exames, para saber se há a deficiência desta vitamina no organismo, e, para que, caso haja, seja facilmente suplementada com produtos encontrados em farmácia ou ainda alimentos veganos enriquecidos com a mesma. Ainda quebrando o mito de que “vegano não come nada” ou “não terá os nutrientes necessários”, a lista de alimentos é longa: frutas, legumes, verduras, grãos, grãos processados, cereais, oleaginosas (castanhas), raízes, ervas, cogumelos, enfim, tudo o que vem da natureza.

Mas… e as proteínas? Além de amplamente encontradas em alimentos como couve e brócolis, a nutricionista Priscilla explica: “uma boa forma de substituir a carne (uma porção de 100 gramas) é usar 1 concha de feijão (ou de outras leguminosas como por exemplo o grão de bico ou a soja). É verdade que em relação a alguns nutrientes específicos, as fontes de origem vegetal podem apresentar uma menor biodisponibilidade, porém, o que deve se levar em conta é uma alimentação equilibrada durante todo o dia e não apenas uma refeição isolada”.

A criatividade vem para a cozinha e pratos deliciosos e super saudáveis têm surgido: são hambúrgueres diversos feitos a partir de legumes ou cogumelos, com ervas e aveia ou quinoa, por exemplo; leites e iogurtes de coco, amêndoas, soja; farinhas funcionais diversas para fazer bolos, pães, biscoitos e tortas.

A estudante de biologia da UFLA, Tatiana Euzébio, conta que, além de ter adotado o estilo de vida e a alimentação vegana, começou a fazer, inclusive, lanches veganos para vender na faculdade a ajudar na renda mensal. “Eu amo cozinhar e amo a diversidade, e isso não era a variedade de bolos, salgadinhos ou congelados, mas de vidas botânicas e que eu posso me consumir delas. E elas movimentam cultura, valores antigos… Eu vi que não precisava tomar leite, comer queijo e fazer, pois eu gosto do processo da feitura, sem violentar nada. E isso instigou a minha criatividade”.

O PROCESSO E AS DIFICULDADES

Dentre as maiores dificuldade relatadas por quem adotou a dieta é a dificuldade de se comer fora de casa. Para o estudante Thiago Rossi, “lanchonetes e outros estabelecimentos comerciais ainda tem preconceito com o público vegano no geral e demoram (quando o fazem) a adaptar seus cardápios para esse público”.

O juiz-forano Pedro Carbogim concorda: “quando saímos para um barzinho, geralmente tenho que ficar na batata frita mesmo. Também é complicado encontrar produtos prontos veganos nos mercados, como carnes vegetais/queijos vegetais”. Já para Tatiana, duas outras dificuldades apareceram: a primeira em relação aos prazeres com os quais o paladar já está acostumado, e o segundo foi o fator social: “as pessoas acham que você não come, que você é doente, que você não tem opção. E ficam dando palpites, mesmo sem conhecimento, e cheio de coisas negativas. Principalmente a família, que já segue uma tradição”.

OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO

Foi pensando nesse público crescente e nas dificuldades enfrentadas por eles, e a partir de uma pesquisa de mestrado, que Anderson Rodrigues resolveu abrir a sua própria empresa do ramo, a Vida Veg, com o pensamento de que “a nossa missão é promover uma alimentação saudável e permitir que as pessoas tenham maior bem-estar, disponibilizando alimentos vegetarianos que respeitam as pessoas, os animais e o planeta. Nossa empresa sempre vai lançar produtos veganos, para facilitar a vida das pessoas que querem seguir este estilo de vida, e a um preço justo”.

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A Vida Veg nasce após a pesquisa para a dissertação de mestrado em Administração de Anderson, defendida em 2012 na UFLA, que, por meio de netnografia e entrevistas, entendeu que havia poucos produtos para esse nicho de mercado em crescimento. Foi aí que o mestrando viu a oportunidade de abrir sua própria empresa e trabalhar com o que torna o mundo melhor.

Após um tempo trabalhando em outros lugares, em 2015 surge a Vida Veg, pensando não só no público vegano, mas em intolerantes à lactose, alérgicos à leite e quem se preocupa com a saúde de forma geral. Os primeiros produtos a serem desenvolvidos foram oito sabores de iogurtes feitos com leite vegetais de três bases: coco, amêndoa e arroz. “Esse tipo de iogurte é pioneiro no país, pela forma como são produzidos e disponibilizados. Aqui fazemos a extração do leite do produto in natura”.

O lançamento no mercado foi bem sucedido e hoje, após somente oito meses de seu surgimento, a Vida Veg está presente em 250 pontos de vendas em quase todo o Brasil. “Havia alguns produtos baseados em soja, por exemplo, inclusive alguns queijos, mas não eram muito saborosos e difíceis de encontrar”, comenta o empreendedor, que vai lançar ainda este ano novos produtos para a linha de iogurte, uma linha de queijos advindos da castanha-do-caju, além de já estar desenvolvendo outros produtos, como por exemplo uma linha de sorvetes.


RECEITA BOLO DE CENOURA VEGANO:

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Ingredientes:

  • 1 xícara de cenouras orgânicas picadas miúdas
  • 1 xícara de Iogurte sabor Amêndoa Vida Veg
  • 4 colheres de sopa de óleo de coco
  • 1 xícara de açúcar mascavo
  • 2 xícaras de farinha integral
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

Preparo:

Bater no liquidificador os ingredientes líquidos, despejar esse líquido em um recipiente de vidro e misturar os ingredientes secos, mexer bem até ficar homogêneo, assar em forma média por 35 mins em forno pré aquecido a 180º.

Cobertura:

  • 1 Barra de Chocolate 70% cacau derretida em banho Maria;
  • 1 colher de sobremesa Manteiga Ghee (opcional)
  • 1 colher de sopa de Biomassa de Banana Verde (opcional)

Misturar tudo em uma panela pequena e derreter em Banho Maria, despejar por cima do bolo.


FICHA TÉCNICA

Vida Veg

Pontos de vendas

• Supermercado Rex (Shopping)

• Empório Verde Campo

•Mundo Verde

• Supermecado GF Lavras Norte

• Casa da Dieta Natural

 

 

 

 

Revista Ipê