Vitiligo é uma dermatose crônica, adquirida, caracterizada por máculas acrômicas/hipocrômicas localizada em qualquer parte do corpo. Quando acomete área expostas como a face e mãos, pode determinar um grande impacto psicossocial. Afeta cerca de 1% da população, sem diferença entre raça ou sexo. O início surge em qualquer idade, sendo mais comum na infância e em adultos jovens.

CLINICAMENTE, A DOENÇA É CLASSIFICADA EM:

Vitiligo não segmentar – poucas ou muitas lesões com distribuição simétrica. Pode comprometer qualquer região de corpo, inclusive face, mãos pés e região genital. Os subtipos são: focal, acrofacil, generalizado, de mucosas, e o universal. O curso é lento e progressivo. Repigmentação espontânea ocorre em até 10 a 20% dos casos. É frequente associação com doenças autoimunes.

Vitiligo segmentar – lesões unilaterais localizadas em um segmento, acompanhando a distribuição de um dermátomo. Tem evolução mais rápida que o vulgar e não está associado a doença autoimune.Sugerem que uma anormalidade neurogênica ou mosaicismo cutâneo contribuam para sua patogênese.

Vitiligo misto – associação dos dois tipos anteriores. Nesse caso as lesões segmentares precedem as lesões de vitiligo vulgar.

A evolução da doença é incerta. No vitiligo não segmentar, períodos de reativação podem ocorrer após períodos estáveis, determinando rápida despigmentação da pele. A melhora espontânea, com repigmentação local é descrita, principalmente em áreas expostas à luz solar. Também foi descrita a parada espontânea de despigmentação sem qualquer tipo de tratamento. Não é incomum relatos de pessoas com vitiligo cujas lesões estão melhorando com a terapêutica empregada enquanto novas manchas aparecem ao mesmo tempo. Áreas de pele tratadas com sucesso podem perder a pigmentação novamente.

Na patogênese do vitiligo, mecanismos autoimunes, genéticos e fatores ambientais provavelmente atuam em combinação levando à ausência de melanina nas áreas afetadas. Anticorpos contra a antígenos de melanócitos já foram descritos demonstrando a participação de imunidade humoral no processo. Autores também relacionam o “stress” oxidativo local como causa no aparecimento da doença. Fatores desencadeantes como trauma da pele e “stress” psicológico são descritos.

Aproximadamente um terço dos pacientes com vitiligo tem história familiar positiva da doença. Foram descritas evidências genéticas associando o vitiligo com doenças autoimunes, como tireoidites autoimunes, alopecia areata, anemia perniciosa, diabetes tipo 1, artrite reumatoide, entre outras.

O diagnóstico se faz pelo quadro clinico. O exame das lesões com lâmpada de Wood diferencia a lesão acrômica do vitiligo das lesões hipocrômicas presentes nas dermatoses que fazem diagnóstico diferencial: Eczematide e Pitiríase alba, Pitiríase versicolor, Hipomelanose macular progressiva, Leucodermia gutata, Nevo despigmentoso, Hipopigmentação pós-inflamatória,entre outras.

Entre os exames laboratoriais recomenda-se pesquisa da função da tireoide(T3, T4livre,TSH), pesquisa de auto-anticorpos antitireóide: antiperoxidade e antitireoglobulina.

O tratamento deve ser realizado logo de início, para evitar evolução do quadro clínico, principalmente quando a doença compromete o estado psicológico do paciente. O uso de maquiagem corretiva e orientação para evitar exposição solar podem contribuir para que as lesões se tornem menos evidentes e auxiliam na condução do paciente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em resumo, o vitiligo é uma doença crônica que pode interferir na qualidade de vida do paciente. Apesar de algum consenso entre autores sobre várias teorias, a causa do vitiligo ainda é desconhecida. O tratamento visa a controlar o processo inflamatório/autoimune e estimular a repigmentação. Em geral é prolongado, razão pela qual sempre se deve avaliar individualmente o paciente e considerar os riscos e benefícios de cada opção terapêutica, minimizando seus efeitos colaterais.

 


Dra.Ana Márcia Possa Dermatologia

Dra. Ana Márcia Possa Dermatologista

Revista Ipê